Ontem foi um dia que começou com muita ansiedade, mas terminou lindo! É incrível o poder terapêutico de um banho de mar para mim. Especialmente se mergulhar a cabeça. Fomos de bike à praia por volta das 17h, Tom e eu... minhas coisas preferidas: bike, praia e Tom. Estava lindo, o mar estava quentinho, levei iogurte grego de morango pra comer lá (tem gosto de danoninho, bom pra criança interior).
Entramos na água, e o Tom veio um pouco mais fundo do que costuma porque estava quentinha. Apesar do nosso cansaço recente, entramos num estado de muito amor juntos na água. Peixinhos, abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim. Nesses momentos me esqueço do medo imenso da morte que tenho sentido. Há tanta vida no mar...
Até que sobre as ondas calmas percebi uma abelha, abelhinha.... lutando, sendo levada. Para ela, as ondas estavam bem agitadas. Então fiquei no dilema de ajudá-la, mas tive medo de pegá-la com a mão e levar uma ferroada. Estava quase desistindo, então tive a ideia de usar o boné do Tom como objeto para que ela subisse e se secasse. Assim fiz.
Ela subiu com dificuldade e ficou andando pelo boné, secando primeiro as patinhas, depois o corpinho, depois as asinhas. Tudo isso levou uns 5 minutos. Tom e eu observando maravilhados. Pensando no que os amigos americanos pensariam. "Essa é nossa vida: venho à praia, fumo 1 e salvo abelhas." Save the bees!!!
A honey bee começou a testar as asinhas, estávamos empolgados para o momento do vôo! Então ela levantou voo, mas caiu novamenta na água. Oh nooo! Eu disse que ela devia estar ferida. Tom usou o boné para pegá-la novamente. Dessa vez ela estava exausta e ainda mais enxarcada. Ele foi com ela para a areia e deixou o boné secando na canga, longe dos pássaros que poderiam comê-la. Se distraiu um pouco, e ela sumiu.
Tom voltou para a água encantado e feliz, ela tinha voado livre! Que bom. Ficamos mais uns instantes na água muito apaixonadinhos. Saímos rindo, nos secamos com frio, pois ventava bastante.
Até que de repente... Tom me mostrou, na beira da canga, o corpinho de abelhinha tão pequeno encolhido. Não me abalei muito, ela estava mesmo muito fraquinha. Uma abelhinha dessas europeia vive de 30 a 60 dias. Uma vida tão curta, mas será longa para uma abelhinha?
Tenho sentido muito medo de morrer. Medo de estar sozinha. Será que eu morro quando estou sozinha porque estou abdicada da minha individualidade? Escrever aqui já é um exercício de retorno a mim mesma. Um texto sem muita preocupação com forma, deixando um pouco de lado o controle.
Esses temas voltam a mim nos momentos difícies: o medo, o medo das coisas que não controlamos, e o medo do que há de mais incontrolável: a morte. Quando estou vivendo muito, não encontro tempo de pensar na morte.
A morte da abelhinha foi numa tarde bonita, o pôr do sol mais bonito que vi nos últimos tempos. Não sei se foi uma morte serena, "é doce morrer no mar". Mas foi natural. E o sol se pôs, os turistas empatocaram suas coisas, nós nos secamos e voltamos pra casa para tomar banho (convenci o Tom a tomar banho junto, ele acha estranho) e jantar num estado de relaxamento que só o pós mar me dá.
Estou indo para Uberlândia essa semana, decidi ontem. Quero voltar às minhas raizes, aterrar. Ser cuidada pelo amor incondicional da minha mãe. Tô precisando disso. O Tom tem estado cansado, mal conseguindo cuidar de si. E eu tenho demandado muito cuidado. Espero que seja bom!
Um dos meus objetivos lá será voltar a ocupar meu papel de filha e encontrar paz nele. Não ser mais mãe dos meus irmãos e nem dos meus pais. Respeitar as escolhas de cada um e sentir menos culpa. Sentir-me livre!

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