terça-feira, 1 de abril de 2025

Insatisfeita sem queixa

 

É que quando você me deixa

Eu entendo a deixa

E, insatisfeita,

Me afasto sem queixa


    A vida de solteira tem sido um presente pra mim. Bem melhor do que eu teria imaginado há um ano. Tem sido uma delícia conhecer pessoas novas, estar aberta para o mundo e aprender com novas interações. Mas o que fazer quando essas interações passam do limite do casual? Apesar de pensar que preciso de paciência e deixar as coisas rolarem, eu também me encontro insatisfeita às vezes com o que é me dado pela pessoa pela qual estou apaixonada. Mas o quanto eu estou disposta a dar? 

    Não me vejo num relacionamento monogâmico agora. Quero viver muitas coisas ainda, e não quero me sentir presa ou culpada por querer viajar, por exemplo. Ele seria um ótimo companheiro de viagem, mas precisaria melhorar a situação financeira dele, e provavelmente a emocional também.

    Racionalmente já sei de tudo isso. Mas quando estamos juntos, eu fico sempre querendo mais. Mais dele e de como me sinto com ele nesse encontro que parece de outra vida. Então vou encontrando um equilíbrio com ele, a medida certa de comunicar os sentimentos de forma correta e sem cobrar obrigações que ele não me deve. Estar solteira tendo vários ficantes é como ser não monogâmica, de certa forma. E viver assim parece mais difícil porque não há regras. Mas há também a magia incrível de se criar o que cabe melhor, e parece mais ideal. 

    Será que as pessoas dos casamentos arranjados eram mais felizes? A estabilidade traz uma falsa sensação de calma, mas por baixo dela há um rio muito profundo com correntezas fortes que podem afogar os mais sensíveis. O silêncio e a harmonia eram na verdade frutos de obediência. Os homens continuavam tendo a liberdade que queriam, e as mulheres enterravam seus sentimentos em nome da insituição do casamento e da família. Como se coubesse a elas manter de pé uma casa cujas paredes os maridos se exaurem de quebrar com marretadas. 

Outro dia escrevi que vejo em mim a sensatez das mulheres que não se casam. Essa constatação me entristeceu. Na terapia, Lorena me disse que no jogo de sedução, especialmente com homens, é preciso fazer um joguinho mesmo, certo charme. Que faz parte. Tenho sido eu mesma e tem dado certo. Percebo que, mais do que fazer charme, me manter ocupada e com a cabeça em minhas próprias coisas é o que me salva, me alegra e me deixa mais interessante também pros outros. 

Também tenho tentado não comparar as pessoas. Se não estou com quem eu mais gosto de estar, então vou estar com quem estou sem comparar com ele. Porque cada pessoa tem sim suas qualidades e fatores que me atraem.