quinta-feira, 5 de junho de 2025

Só não falta a falta

Quando é que passa esse hábito de contar os anos sem alguém?
Todo dia lembranças do dia de hoje há dois ou três anos. Há dois ou três anos eu estava lá. Há um ano eu estava por ali sozinha. E agora estou aqui recolhida. Quantas vidas se vive em uma vida?

Estou aqui para aprender, e tenho tido paciência. Deus sabe que tenho tido muita paciência. Que tenho buscado entender a dor física que agora sinto. Que, dizem, pode durar 3 meses, alguns anos ou uma vida. Existe mesmo uma dor que dure uma vida? Mesmo para quem busca se curar?

Eu entendo que meu corpo, minha mente, meu insconciente, meus guias, meu sistema imunológico, a estação do ano... estão me dizendo: se aquiete. E aqui eu me aquieto. No lugar que mais chamo de lar neste mundo. Aproveitando a sorte que é poder estar com meus pais e minha família. Eu gosto dessa vida. 

A aceitação vem de pensar e sentir que muito no fundo estou escolhendo essa dor porque preciso estar aqui sem estar sempre pensando em estar lá. E, com isso, me aprofundo em mim mesma. Nas águas calmas e profundas que repousam sob a correnteza... essas águas escuras que carregarei comigo onde quer que eu vá. 

E aqui vou percebendo o que poderia ser óbvio para falar, mas não para sentir: importa mais como estou do que onde estou. Estou em conssonância com minha mente, sentindo autossuficiência, independência e potencial para chegar onde quero profissionalmente. Uma sensação de que já aconteceu. De que o que vai acontecer já está acontecendo. Pela primeira vez na vida estou com os dois pés no chão, coração no centro e a mente tranquila.

Sinto vontade de perguntar: então por que parece que me falta algo? Porque falta. Porque a vida tem sempre angústia, e tem sempre falta. No momento, essas são faltas e angústias que aceito. Em verdade, penso menos nelas do que em tudo o que estou aprendendo e criando agora. A verdadeira riqueza deste momento está em querer o que tenho. E eu quero tudo tudo tudo tão imensamente: minha família, minha casa, meu quarto, minha gata, meus amigos, minha empresa, meu trabalho... quero tudo isso que está posto pra mim. 

Quero essa dor? Talvez, profundamente, sim. E quero também que ela passe, como todo o resto. 











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